Tenho toda a consciência do problema de saúde que me acompanha. E depois de 4 anos entre altos e baixos, já deveria estar mais que habituada a todas as crises que me vão aparecendo no caminho, a todas a recaídas que me vão acontecendo.

Mas a verdade é que são muitas as vezes que acordo e imagino que este corpo não é o meu, que tudo isto não sou eu, que a minha vida não é a minha e que tudo não passa de um sonho mau.

Fecho os olhos e tento acreditar que este corpo não me pertence, que não lhe falta nada, que não se está a degradar a cada dia que passa, que não está a morrer de tanto desgaste.

Quem me conhece acha sempre que sou um heroína, que aguento tudo e na verdade é isso que quero que acreditem, pois o que mais detesto é sentir a pena.

Mas hoje, aqui sem máscara e fatos de heroína, só posso dizer… e só consigo dizer… tenho medo… tenho medo de um dia não conseguir aguentar, medo do meu coração não aguentar mais aquela maldita máquina que me dá vida. Tenho muito medo de um dia ser tarde demais…

Sinto-me cansada, triste, sinto-me desamparada, apesar de ter a família toda do meu lado. Sinto-me cansada de percorrer este caminho o qual não vejo ter fim. De lutar por algo que não vejo ter qualquer solução.

Sinto-me como um fantoche, ligada por fios frágeis que a qualquer momento poderão rebentar.

Claro que isto é um desabafo e dias melhores virão… enquanto isso resta-me esperar que este medo passe e tudo acalme.


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