No outro dia o meu filho chegou da escola danado, porque os coleguinhas gozaram com ele que não sabia jogar Fortenite.  E isto porquê?

Porque o Pirata, anda numa fase de pré-adolescência precoce e a forma que eu arranjei depois de várias conversas sem sucesso para controlar os acessos de mini neuroses foi colocar-lhe um castigo. E qual é o castigo que resulta mais? Não jogar x tempo.

Além que este ano, o 4º ano, combinámos que não havia jogos durante a semana, podendo jogar apenas ao fim de semana. Isto porque, apesar de ser muito bom aluno, quero que desenvolva outros interesses, além dos jogos virtuais.

Bem, posto isto, os coleguinhas que passam o tempo na playstation tem notado a sua ausência e vão insistindo para ele assim que chega a casa jogar. Uma vez que durante a semana não pode e no fim de semana esteve de castigo, agora dizem-lhe que ele não vai jogar, porque não sabe. E gozam com ele… cenas de miúdos!

Aborrecido, acabou por desabafar comigo, que está farto de que os colegas gozem com ele. E na conversa, referiu um ou dois colegas que os pais autorizam os jogos até bem tarde, mesmo em tempo de escola e um inclusive este ano já podem jogar quando quiserem sem ter de pedir autorização aos pais.

Não tenho nada haver com a gestão dos jogos nas outras casas, mas na minha isto não acontece e não vai acontecer. Cá em casa tentamos limitar ao máximo o tempo dedicado ao jogos. De quando em quando esse limite não é cumprido à regra, mas fazemos questão de ter regras para o jogos e não deixar que o miúdo passe a vida à frente da TV. Claro, que muitas vezes custa contrariar, custa mandá-lo sair do jogo, quando está divertido a jogar ou até a jogar online com os amigos. Mas se assim não for, não fazem mais nada!

Hoje em dia, o único interesse das crianças é chegar a casa e jogar na TV. Já não tem interesse em andar de bicicleta, skate, patins, não pedem para ir para a rua brincar com amiguinhos. Não sabem viver sem o tablet, a playstation ou até mesmo os nossos telemóveis que estão cheios de jogos que eles descarregaram.

A verdade é que quando a criança está a jogar, não chateia, não nos aborrece, não repete de minuto a minuto “estou aborrecido, não tenho nada para fazer, e o que é que eu faço”, frase que estou mais que habituada a ouvir. Deixa-nos fazer tudo aquilo que não podemos para lhes dar atenção.

Quando vou a um restaurante, é comum ver outras mesas com crianças com os telemóveis e tablet em cima da mesa. Para as distrair enquanto se alimentam e enquanto os pais tem uma conversa de adultos sem que um pirralho os interrompa de 2 em 2 minutos. Certo, é mais fácil assim! Mas como é que a criança vai aprender as suas capacidades sociais se está o tempo todo de nariz num ecrã? Como vai aprender a comportar-se numa mesa a interagir com os adultos e até mesmo outras crianças se o jogo é que a está a ensinar?

Como é que os nossos pais faziam, sem a ajuda da playstation, do tablet e do telemóvel? Eles sobreviveram, pois nós também conseguimos.

Entretanto cá por casa, continuamos com a regra e os jogos limitados, que de quando em quando abrimos uma ou outra excepção.


3 comentários

S* · 3 Outubro, 2018 às 4:09 PM

Por aqui, o meu pequeno tem 16 meses e, se muito, vê 20 minutos de televisão por dia. 10 de manhã, enquanto nos arranjamos, e 10 minutos ao fim do dia… não quero que cresça com o vicio, sendo ainda tão pequeno. Assusta-me a maneira como os pais se demitem da obrigação de cuidar com filhos ao espetar-lhes um tablet ou afins na frente…

    paulaalmeida · 4 Outubro, 2018 às 11:00 AM

    Verdade!

Andreia · 4 Outubro, 2018 às 7:03 AM

É difícil remar contra uma grande maré… por aqui o filhote têm 3 anos, felizmente ainda não anda para ai virado 😬

Bjs
https://titicadeia.blogspot.com

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