Muitas vezes me questiono sobre o propósito da vida! Especialmente quando me deparo com algum contratempo. Não tive uma infância feliz, ou melhor todos os bons momentos que recordo e guardo com carinho foram todas as férias que passei com os meus avós.

Os meus pais nunca me deixaram faltar nada, apesar de uma família humilde, havia comida na mesa, roupa e poucos brinquedos (mas chegavam), mas faltava outra coisa… falta algo que hoje que sou mãe descobri…

Quando houve a separação dos meus pais, foi talvez a fase mais negra da minha vida… a minha mãe não reagiu bem, o meu pai a meios que virou as costas e eu acabei uma adolescente a crescer sozinha. A minha mãe trabalhava  bastante para nos sustentar e eu fui deixando que a vida me levasse. Sorte que apesar da fase mais difícil nunca fiz ou aconteceu nada de grave, mas podia ter acontecido, pois tive tudo ali ao lado, para desertar para uma vida errante.

Quando conheci o meu marido estava numa fase de recomeço, nos meus vinte e poucos anos, à procura de estabilidade e preparada para começar uma família. Foi na forma como receberam na família dele que notei que a minha não era como as outras.

Durante anos, as falhas, os tormentos, os rancores acompanharam-me… não conseguia esquecer.

Quando o meu filho nasceu, fechei um ciclo… e fiquei aliviada, pois temos tendência para seguir o que os nossos pais foram para nós e nos ensinaram e eu fui tudo ao contrário. Ver a ligação que o meu filho tem comigo, ver como ele me adora e saber especialmente que ele sabe que é a luz da minha vida, tudo isso trouxe-me paz.

Não sou uma mãe perfeita, cometo erros, mas sei que o caminho que escolhi foi outro.

Entretanto de alguma forma as coisas foram-se dissipando, e resolvendo dentro de mim. Passado anos de separação consegui estar com o meu pai sem rancor, raiva, ou até mesmo cobranças. A minha mãe fez o melhor que pode com o que sabia e tinha.

Mas por muito que tudo esteja no passado e me tenha obrigado a fazer as pazes com o passado, a verdade é que as dores, as feridas, essas estão lá sempre. E por vezes esbarramos contra algo e uma delas reabre novamente.

Como eu costumo dizer: a dor não passou, simplesmente habituámos-nos a ela e aprendemos a viver com ela.

Ando a aprender a processar as coisas do meu passado, a arranjar meios para que não me atormentem mais e possa ser mais feliz. A pergunta é se alguma vez vou conseguir?

P.S: Divaguei, divaguei… e o que é que isto tem haver com o propósito da vida? 🙂


4 comentários

Andreia · 26 Outubro, 2018 às 11:55 AM

Claro que sim… com a maturidade vamos aprender a ver as coisas de outra maneira, e aprender a gerir dentro de nós. Outras coisas mais importantes ganham significado e outras perdem!!

Tão bom ter essa ligação com o filhote, acho maravilhoso!!!

Beijinhos
https://titicadeia.blogspot.com/

S* · 26 Outubro, 2018 às 1:56 PM

Acredito que a tua má experiência te tenha ajudado a ser ainda melhor Mãe. Felicidades!!

Trendy Lisbon · 27 Outubro, 2018 às 6:13 PM

Revejo-me…
E acho que a reflexão tem tudo a ver com o sentido da vida 🙂

C. · 31 Outubro, 2018 às 7:28 PM

Faz todo o sentido 🙂 pois o significado é subjectivo a cada um de nós…

Beijinhos,
O meu reino da noite
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