Este ano foi um ano de perdas e bastante difícil para toda a família.

Em Março perdi a minha princesa, a Lana, a gatinha do meu coração. Princesa da família, da qual já fazia parte à 14 anos.

A saúde já era frágil, pois já tinha alguns problemas e por várias vezes teve que ficar internada, mas a força de vontade de ficar connosco era maior e ia recuperando. Esta fase, era como uma preparação para o que havia de vir. Mas por muito que tentasse, a verdade é que nunca fiquei preparada para o que se seguiu.

A situação dela agravou-se e tivemos de levá-la ao veterinário, onde fomos informados que os rins dela tinham parado. Tínhamos a opção de a trazer para casa, deixar a natureza fazer o seu trabalho, o que seria agonizante para ela, ou acabar ali o seu sofrimento.

Optámos por deixá-la ir com toda a sua dignidade. O meu marido não ficou.

Eu não quis arredar o pé do lado dela. Iria e fiquei ao seu lado até ao fim, tranquilizei-a, e fiz-lhe festas até adormecer. Falei com ela, como ela gostava e não chorei enquanto esteve consciente. A médica foi de um carinho excecpional! E o facto de ter estado ali ao seu lado deu-me muita paz de espírito.

Ali estávamos as duas numa despedida de, um até já! Foi rápido! A veterinária saiu e deixou-me ali a despedir da minha “filha”. Fiquei! Chorei! Despedi-me!

Saí, o meu marido tratou da burocracia e viemos para casa. O rapaz estava em casa da minha vizinha à nossa espera. Estava preparado! Estava a sofrer!

O nosso luto começou… chorámos agarrados uns aos outros até as lágrimas acabarem… até a alma doer tanto que já não havia força.

O meu filho foi um pequeno herói, apesar de estar a sofrer, sabia que me doía muito mais a mim e deixou-me fazer o luto no meu canto. Dava-me mimo e estava sempre preocupado comigo.  O meu marido protegia-me de toda a estupidez humana que naquela altura é tão desnecessária e que aparece. Foram dias que me sentia completamente off, vazia.

No dia seguinte uns amigos (que sabiam e nos são dos mais querido que existe), tiraram-nos de casa, fomos almoçar, passear à beira rio e acabámos a tarde no veleiro deles. Eu exausta, acabei por dormir a tarde toda no barco. As crianças brincaram, o que ajudou muito o meu rapaz. O carinho que senti naquele dia foi muito importante para o resto do processo.

O meu luto continuou…Não deixei que ninguém tocasse nas coisas dela. Deitei tudo fora e algumas coisas dei… menos a coleira que ainda guardo comigo e a sua mantinha preferida que coloquei na nossa sala.

O coração doía, a saudade piorava e eu chorava. Chorei muito e ainda choro (não contem a ninguém). Durante dias, semanas, sentia os movimentos dela pela casa. Havia rotinas que eram automáticas! Muitas vezes a vi deitada no corredor.

O tempo passou e as coisas foram melhorando… a dor essa não passou… habituei-me a ela. Sinto falta dela, como no primeiro dia.

Ela era a minha menina, veio para nossa casa em bebé, fui mãe dela, companheira e amiga. E ela foi a melhor companheira e amiga que algumas tive. Quando estava chateada e enervada, sentava-se em cima de mim, para lhe fazer festas e dar mimo e assim eu acabava sempre por me acalmar. Se chorava vinha lamber-me as lágrimas e claro dava-me turrinhas até parar de chorar.

Podem dizer o que quiserem, mas perder um animal é tão doloroso como perder um familiar. Aliás eu perdi parte da minha família. Pois nunca será igual!

Só hoje consegui finalmente escrever sobre a minha princesa. Todos os dias a relembro e cada vez sinto mais falta dela. Era uma linda princesa!

Hoje é uma estrelinha no céu a olhar por nós! Dá-me paz saber que morreu tranquila e com dignidade!

Até um dia, Lana! Até já!

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7 comentários

PInk · 14 Novembro, 2018 às 6:03 PM

Sei muito bem do que falas. Em Dezembro pus um cão a dormir, já perdi vários animais mas curiosamente a minha actual gata usa a coleira de uma gata que eu tive há 15 anos e faleceu nem eu sei bem como, sei que não comia, fui ao vet e saiu de lá “a dormir”… Esse luto nunca acaba, porque choramos sempre que noslembramos deles. Um beijo e muita força

    paulaalmeida · 14 Novembro, 2018 às 6:18 PM

    É verdade! Beijinho

Andreia · 15 Novembro, 2018 às 10:17 AM

Texto lindo!!!

Helena Raquel · 15 Novembro, 2018 às 11:51 AM

Perder um animal dói tanto como perder um familiar, 🙁
eu perdi este ano as minhas duas ratazaninhas.
http://dreamsprincess20160.blogspot.pt

· 17 Novembro, 2018 às 9:04 PM

Confesso que quase chorei com o texto 🙁
Um beijinhos muito grande ^^

Vera · 22 Novembro, 2018 às 10:14 AM

lamento muito pela tua perda.
Há dois anos perdi o meu Coelhone que esteve comigo mais de 8 anos (para coelho ele era já velhote). Um dia cheguei a casa e ele tinha tido um AVC. Fomos a correr para o veterinário, ainda tentamos que recuperasse , mas no dia seguinte o veterinário e nao havia nada mais a fazer: era irreversível e estava na verdade a piorar o estado clinico dele e a aumentar o sofrimento. Nao consegui lá voltar, pedi ao veterinario que tratasse de tudo. Ao contrário de ti, pus tudo o que era do coelhone na cava. Mas confesso que chorei baba e ranho e continuava a cortar os vegetais a deixar um bocado para lhe dar… mas ele nao estava lá.
Espero que o tempo consiga amenizar a tua dor porque é impossivel esquecê-los!
Beijinhos
Vera

    paulaalmeida · 22 Novembro, 2018 às 12:43 PM

    É verdade é impossível esquecê-los.

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