E quando estamos numa época em que os heróis do dia são os bombeiros, aqui fica a história de uma pequena grande mulher, que com um obstáculo que a vida lhe colocou, transformou em algo bonito e muito humano. Ajudar o próximo!  Uma futura criminóloga que de pequena nada tem!

1,57m e 50 Kg de menina e moça

Apelidada de Branca de Neve, Branquinha, entre outras coisas que destaque realmente a minha fragilidade de exposição solar, com menos de 1,60m e quase quase quase quase nos 50Kg…

Sou frágil e ao mesmo tempo forte, sou preguiçosa mas uma lutadora cheia de garra, sou muito sensível mas capaz de aguentar o mundo a desabar só para poder proteger os meus, sou bastante orgulhosa mas nunca capaz de negar o próximo, sou emotiva, sou feliz e esta é a minha história!

E por ser tudo isto e mais alguma coisa, também com defeitos, sinto eu que conquistei um mundo em 21 anos! Conseguindo sempre aquilo que sempre quis e vou querendo e acreditem.. por mérito próprio, o que faz de mim ainda mais feliz!

Sempre me fascinei pelo mundo do crime, felizmente consegui ingressar nesse mundo mas do lado bom da história (risos), estudo Criminologia e quero poder um dia trabalhar com vitimas e agressores. Sou também bombeira voluntária na corporação perto de casa.

Ser bombeira é algo que faz de mim uma pessoa muito mais completa, adoro aquilo que faço, adoro ajudar as pessoas, sinto-me imensamente grata ás pessoas que depositam a vida dos seus nas minhas mãos e nas de tantos outros colegas meus.

Focando-me agora apenas num tema da história da minha vida, vou-vos contar como e por que é que me tornei bombeira, pois de facto o voluntariado salvou-me de não cair, quem sabe, no abismo.

Tinha eu 19 aninhos acabadinhos de fazer, mas era a única coisa da qual eu tinha certeza, tão novinha e acabada de sair de uma relação tanto ou quanto atribulada que me fez querer desistir de vários projetos que qualquer recém adulta quer, como tirar a carta, ir para a universidade, quem sabe até conciliar com um part-time para a independência saber um pouco mais a independência.  Deixei-me ir a baixo completamente, deixei que a minha vida fosse dominada por quem nem sequer sabia o que queria para si próprio, deixei que cortassem as asas de toda esta minha vontade permanente de voar cada vez mais alto, deixei de me interessar pelo que era interessante, desisti dos meus planos para o futuro, desisti de mim.

No verão dos meus 19 anos lembro-me de não estar em Portugal perto da minha mãe e todos aqueles 10 dias de férias longe da minha zona de conforto me sentia constantemente mal, tinha ataques de ansiedade várias vezes ao dia, tinha medo de estar sozinha, tinha medo de dormir, chorava por tudo e por nada. Bem… fui a um médico lá na zona onde estava a passar férias e ele disse-me que aquilo eram apenas saudades de casa… De facto eram, eu já só queria voltar para casa, o que é estranho em mim porque adoro viajar e conhecer sítios novos, mas não eram só saudades.. Mal cheguei a Portugal fui à minha médica de família e expus-lhe toda aquela situação que já se vinha a arrastar à bastante tempo e não eram só saudades, eram também sintomas de depressão. Não gosto muito de lhe chamar isso mas é mesmo isso.

Entretanto fui medicada e acompanhada ao longo de pouco mais de um ano.

No espaço de um ano e pouco, enquanto que ia recompondo as minhas emoções e a minha estabilidade mental, descobri o voluntariado, descobri que a ajudar os outros também me ia ajudar a mim. Entrei nesta aventura. Fiz vários cursos para poder ingressar na carreira de bombeira, terminei tudo com boas notas e cá estou eu, bombeira de 3ª classe após um ano e meio de conhecimento adquirido.

No fim desse ano, ainda com 19 anos, também de férias longe da minha família, foi a pior passagem de ano que alguma vez tive, não porque as pessoas a minha volta eram más, mas porque eu própria já não me sentia feliz ali, já não conseguia disfrutar do momento, eu queria ser mais e melhor e havia algo que nunca deixava, que me desmotivava então, quando regressei a Portugal tomei a decisão mais acertada que foi encerrar ali aquele capítulo e seguir em frente, da forma mais sincera e sem querer magoar ninguém.

Entretanto também meti na cabeça que tinha de tirar a carta uma vez que me fazia falta, terminei os estudos que também tinham ficado pendentes, arranjei um trabalho que embora não precisasse do dinheiro para comer, acabei por descobrir que termos responsabilidades acrescidas e lidar com pessoas com diferentes formas de ver o mundo, mais maduras ou não, com histórias de vida diferentes nos faz crescer muito e também concorri à universidade para aquilo que sempre ambicionei, Criminologia. Tudo isto no mesmo espaço de tempo em que terminei a minha relação, em que me candidatei a bombeira, tirei a carta e terminei os estudos.

Apesar de ser ainda um episódio recente, hoje sou sem dúvida uma pessoa mais forte, os complexos desapareceram, GOSTO DE MIM, sou muito mais segura e aprendi uma coisa muito importante que hoje é sempre o mais certo, SEGUIR A MINHA INTUIÇÃO, já não dou tanto valor a palpites alheios e mesmo os bons acabo por os absorver mas mesmo assim sigo sempre o meu coração, porque a minha filosofia de vida é que o que tiver de ser será, pois aprendemos sempre com as nossas ações e não com as dos outros.

Para terminar e voltando ao ponto inicial de serem os bombeiros a minha salvação,  sinto isto hoje porque à medida que fui evoluindo aqui no quartel, à medida que fui conhecendo cada vez mais casos diferentes, lidando com pessoas diferentes, com vários estilos de vida diferentes, entrar em várias casas tão diferentes da minha, apercebi-me de que afinal o mundo não é um conto de fadas, a casa de tantas outras pessoas não é igual à minha, infelizmente ainda existem pessoas que vivem literalmente na miséria, e todas essas coisas mexeram com o meu emotivo, fizeram com que me tornasse numa pessoa ainda mais sensível à miséria alheia mas ao mesmo tempo com força de enfrentar isso e AJUDAR!

Para terminar então a história da minha vida, tornei-me numa pessoa muito mais liberal, os meus objetivo são unicamente crescer enquanto humana e fazer alguma coisa de bem pelo mundo e pelas pessoas que nele vivem, e este bichinho começou aqui mesmo, neste quartel num cantinho do norte que acabou por se complementar com aquilo que estudo, a Criminologia.

Muito obrigada à Paula que me deixou partilhar um pouco de na sua zona de conforto.
E nunca se esqueçam que nós somos do tamanho que queremos, nós conseguimos tudo, basta acreditar e nunca desistir ao mais pequeno obstáculo!

Obrigada, Elma Macedo! Obrigada pela partilha e pela tua enorme força que transformaste para ajudar o próximo! Desejo-te muita sorte na tua futura carreira.

Fiquem a conhecer o blog da Elma, Diário de uma Criminóloga e a sua página no facebook.


3 comentários

Daniela Santos · 16 Agosto, 2017 às 3:03 PM

Adorei e em certa parte identifiquei-me um pouco com o que ela escreveu. Gostei mesmo muito

Beijinhos,
Dezassete

    paulaalmeida · 16 Agosto, 2017 às 4:06 PM

    🙂

Rute Marques · 18 Agosto, 2017 às 12:01 AM

É uma história muito incrível! Adorei, ler essas conquistas em tempos difíceis dá muita garra e confiança a quem está a ler e realmente deixa transparecer que quando queremos podemos ter tudo o que desejamos, não podemos deixar-nos abater pelos momentos maus e continuar sempre a lutar pelos nossos sonhos!

Amei mesmo o texto!
Beijinhos!

P.S Indiquei-te numa TAG no meu blog! Espero que não te importes de responder =)
TAG Irmandade das Bloggers

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