Hoje uma amiga especial traz um assunto que ainda hoje é tabu: ” os filhos dos outros (as) que de alguma forma herdamos” e que deveríamos todos sem excepção receber e amar de coração. Infelizmente em muitos casos a realidade é outra e bem mais triste.

Mas a história de Zélia Nogueira, mostra uma história cheia de amor e vida, apesar das tropelias, nunca se ressentiu com o amor e foi sempre em busca da sua felicidade e das suas filhas. Uma mulher que defende as suas crias, que é mãe sem nunca ter deixado de ser mulher! Uma linda história de uma mulher coragem!

Este assunto rebola-me no cérebro sem me dar descanso, atira-se contra as “paredes” e junta mais nódoas negras.

Os filhos dos outros/as que de alguma forma herdamos…

Desde pequena que escutava falar “´à boca pequena” que fulana tinha sido criada pelo marido de…mas não era seu pai…

Ou “o namorado enganou-a” (utilizava-se esta expressão para dizer que havia “cometido” o “pecado” do sexo antes do casamento e…) e depois houve um bom homem que a ajudou a criar o filho…

Um dia aconteceu-me o primeiro namorado a sério aos dezasseis anos, por aí, contra tudo e todos eu fiquei grávida e casei aos dezoito anos sendo que a minha filha nasceu um mês antes de eu completar dezanove.

Este casamento oficialmente durou quinze anos e na prática um ano, quase a chegar a dois. Ao fim de dois anos e muitas peripécias pouco agradáveis separei-me e fiquei com a minha filha em casa do meu pai…os meus pais tinham-se divorciado pouco tempo depois do meu casamento, a dose tinha sido demasiada para todos!

Um dia apaixonei-me por um amigo de há muito tempo, no entanto eu tinha uma filha e a mãe não achava jeito nenhum o seu menino levar já com filha e mãe…

Percebi logo ali que ser mãe solteira era assunto sério, cheio de Tabus e salamaleques, no entanto eu tinha um espírito muito diferente e acreditava na vida, no amor, no poder amar os filhos dos outros… a minha era linda e doce…que raio de mundo tão bizarro, pensei eu na altura…

Aos vinte e três anos comecei um relacionamento que não tinha nem grande paixão nem amor desmedido porque para mim o assunto “amor” havia sido vedado pelas convenções sociais, no entanto aquele relacionamento que tinha amizade e cumplicidade no inicio, que se enraizava muito na minha capacidade de trabalho e força de carácter, não querendo dizer de forma alguma “alma endurecida”, muito pelo contrário…

Eu tinha e felizmente tenho esta filha, que na altura não foi aceite da melhor maneira, embora o companheiro tivesse dois filhos de um casamento que havia falhado e ficando viúvo, nunca chegou a conseguir resolver aquela contenda e tristeza dentro de si…eu “levei” com toda a amargura, desconfiança, sofrimento, trauma que não lhe permitiram ser jamais completo ou feliz…“havia sido trocado” e infelizmente é um assunto que no masculino não se digere bem!

Eu não sabia, não tinha nem a mínima noção nem a percepção de que o homem animal naturalmente rejeita por natureza as crias de outros, não só o sexo masculino mas por força das circunstancias e do papel que atribuíram ás mulheres, receber cria de outras era mais natural, aliás até acontecia com frequência e desde os tempos mais antigos as mulheres amamentarem as suas crias e as de outras mulheres menos afortunadas em leite ou de condição social superior! Um acto de amor para umas…para outras não poderei opinar porque desconheço factos!

A minha filha não foi brutalmente tratada mas era de certa forma destratada, havia uma vontade da parte do meu companheiro de quase a anular não no sentido do homicídio mas de a tornar inferior de achar que ela merecia ser castigada com maior afinco nas suas tropelias de criança.

Não era olhada com afecto e eu percebendo aquele jogo entrei nele protegendo, dando sempre mais comida do que até ela provavelmente precisasse para que ele percebesse que a minha filha era a o ser mais importante da minha vida, que tinha o seu lugar tal como todos tinham o seu lugar, não era necessário anular quem quer que fosse mas sobretudo não era permitido traumatizar a minha cria, que havia nascido de mim, que tinha o meu sangue e a minha carne, que era um pedaço de mim importantíssimo, o mais importante, de tal forma que eu tinha suportado já um inferno para não a perder antes…um inferno muito feio.

Questiono ainda hoje, porque é que o homem animal não evoluiu nesta sua forma de ver as crias de outros, entristece-me, parece-me que não se justifica, que deveria pelo menos ter mudado um pedaço grande…talvez se tenha conseguido um passinho, há homens que conseguem amar os filhos das suas companheiras não consanguíneos!

Há um esforço para ultrapassar um mito, porque me parece que há muito de mito nesta história do homem animal visto que acredito que o homem não começou a sua existência com a supremacia, que a mulher teve em tempos e no inicio do que quer que seja o papel fundamental!

Desta relação que durou quatro anos nasceu outra filha, muito amada por mim e pela irmã, para fugir de um destino cruel encontrei da forma mais estranha um homem que amei, que me amou, que amou ambas as minhas crias com adoração, de quem tive uma filha também porque no fundo eu sabia que aquele relacionamento tinha dias contados porque o mundo era pequeno demais para “aquele homem do mundo” como dizia o meu avô Sebastião e quis ficar com uma lembrança física, a minha terceira filha, a primeira dele, apesar da sua idade avançada em relação à minha!

Estes homens que amam assim desta forma são raros, os que aceitam…

Os outros serão uma espécie mal resolvida com necessidade de terapia…

Obrigada Zélia, muito obrigada pela tua partilha!

Comentários

2 Comments

Helena Primeira · 10 Agosto, 2017 às 9:42 PM

Um ótimo tema e gostei muito do post.
Um bem haja aos Homens que dão amor, criam e cuidam de crianças que não são delas biologicamente!! <3

*XoXo
Helena Primeira
Helena Primeira Youtube
Primeira Panos

    paulaalmeida · 10 Agosto, 2017 às 10:23 PM

    Verdade! Obrigado pela visita! 🙂

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