A primeira coisa que perdi quando fiquei doente foi o emprego. Recordo que foi uma fase muito complicada, sentia-me perdida sem rumo.

Na altura trabalhava numa empresa de telecomunicações em loja. Acho que já lá estava à 4 anos! Tinha começado como lojista e fui devagarinho conquistando o meu lugar. Na altura tinha alcançado o meu objetivo! Era sub-chefe de uma das lojas, tinha toda equipa a dar o seu melhor, as minhas coordenadoras mostravam-se contentes com o nosso trabalho e a minha chefe da altura trabalhava comigo de igual para igual, havia um trabalho mútuo para levar a nossa equipa a alcançar os máximo dos objetivos.

O meu objetivo era ser sub-chefe e não chefe de loja, por algum motivo que não sei explicar nunca ambicionei ser chefe de loja. Estávamos numa loja que vendia bastante e mantinha-se constantemente no top de vendas, a nossa coordenadora tinha alguns problemas com outras lojas que vendiam menos e necessitava de perceber se era um problema de local ou da própria equipa.

Para tentar resolver o problema dela, fez nos a proposta de passarmos para a outra loja durante um mês, mas não apenas nós sub-chefe e chefe, mas toda a nossa equipa. Recordo que ficámos super assustadas, pois como iríamos dizer a uma equipa que tinha de mudar de loja, ter outros gastos, alterar as suas rotinas, sem que se negassem.

Na altura disse à minha chefe, vamos reunir-nos as duas para acertar as nossas agulhas, para quando transmitirmos a noticia o fazermos de forma coesa, o fazermos a todos em conjunto e tentarmos que ninguém se oponha.

A nossa sorte é que tínhamos uma excelente equipa, ninguém se opôs e sentiram garra de ir e fazer a outra loja algo que nunca tinha sido. E fizemos!

Claro que tentámos ajustar a mudança da melhor forma para ninguém sair prejudicado. Ora se um colega não lhe dava jeito fazer manhãs, devido aos transportes, fazíamos o horário para que assim fosse, porque haveria sempre alguém a preferir as tardes e as noites. E caso se desse que eu ou a minha chefe tivéssemos que prejudicar a nós, assim fazíamos. Queríamos uma equipa feliz, pois sabíamos que era a forma de vender mais.

A loja passou a vender o triplo, a nossa equipa nunca baixou os números e provámos que o problema não era da loja. Claro que com isto, o tal mês de experiência, passou para dois e de dois passou para quase três. Mas pronto!

Vou ser sincera, foi a época em que me senti mais realizada! Na altura sentia o apresso, sentia que me davam valor! Além que fazia o que mais gostava: atendimento ao publico! Não é um trabalho fácil, mas se o fizermos com gosto, pode ser muito gratificante.

Muitas pessoas podem achar que quem está atrás de um balcão é somente um ou uma funcionária, mas não, pois é muito mais que isso. É alguém que tem de estar pronta para lidar com várias situações, que tem de aprender a controlar os sentimentos, tem de ser constantemente simpática, até quando está naqueles dias que lhe apetece chorar, tem de saber ouvir, mostrar empatia. Muitas vezes somos psicólogas, outras educadoras, outras apenas invisíveis… mas acima de tudo temos de gostar do que fazemos.

Tenho tantas histórias divertidas, algumas assustadoras e outras muito tristes! Mas este contacto com as pessoas sempre me deixou feliz! Depois quando me tornei sub-chefe iniciei um outro tipo de contacto  e esse também muito gratificante! O de tentar manter sempre a minha equipa unida com espírito  competitivo.

Foram meses divertidos, divertimo-nos bastante, porque além do trabalho tínhamos de fomentar a relação dos colegas. E a verdade é que ficámos bastantes unidos na altura.

Tinha-nos proposto algo e tínhamos saído bem, nunca me tinha sentido tão realizada, como na altura. Entretanto a coordenadora propôs voltarmos às lojas, mas agora dividindo as duas equipas de forma a que eu ficasse com metade da minha e metade da outra numa loja e a minha chefe na mesma, mas na loja onde estávamos.

Eu ia voltar à minha loja como chefe (temporariamente) durante 6 meses e depois quando a chefe daquela loja voltasse da baixa de maternidade, passaria a sub-chefe, o pretendido da minha parte. Estava super contente!

Mas nunca aconteceu, porque o primeiro dia que iria voltar e assumir o meu novo posto, fui internada e todo o meu trabalho diluiu-se em nada.

Estive 4 meses de baixa, até se aproximar o final do meu contrato. E como para as empresas nós somos apenas números, fui dispensada de forma simpática. Não iriam renovar o meu contrato, mas assim que eu pudesse voltar a trabalhar, teria a porta aberta e iria ser admitida automaticamente.

O problema é que eu trabalhava numa loja por turnos e fazia 3 vezes por semana diálise durante 4 horas, na altura durante o dia, o que significava que chegava a casa completamente esgotada. Ou seja impossível trabalhar!

Fui obrigada a aceitar o ponto de vista deles, apesar de ter custado horrores. Mas a vida é assim.

Passei um ano e meio no fundo de emprego, em casa. Depois o meu marido acabou por me colocar como funcionária da empresa e hoje sou assistente dele, onde consigo conciliar os meus tratamentos e o trabalho.

Existem dias que tenho de passar no sofá, pois não me sito bem. E outros em que as coisas vão correndo bem. Mas infelizmente é a minha condição e tenho de a aceitar.

Mas a verdade é que não é a mesma coisa! Não sinto o que sentia anteriormente, a satisfação da conquista por mim própria, de saber que fui eu que alcancei aquilo ou que ajudei num objetivo.

Faz-me muita falta a competitividade, a garra que éramos obrigados a ter. Faz falta ter de lidar com as pessoas, de ter os pequenos atritos que eram comuns. Sinto saudades de olhar para a minha equipa de a ver feliz, satisfeita e saber que tinha sido a responsável. Afinal tinha descoberto que ser sub-chefe era uma vocação.

E atenção não é que o que faço hoje não me satisfaça, pois gosto do meu trabalho, simplesmente é diferente. Falta-me um bichinho!

Mas temos que nos adaptar e o passado não volta!

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