A crueldade das pessoas

Já ontem tinha começado a escrever este post.  Mas não o terminei e ainda bem, porque à noite acabei por conhecer uma outra perspetiva que não a minha e isso mudou um pouco a minha forma de pensar.

As pessoas podem ser bastante cruéis e bastante inconvenientes muitas vezes! Até roçar a indelicadeza!

Para quem não sabe ou tem conhecimento, eu para fazer o meu tratamento de hemodiálise 3 vezes por semana, tive de fazer uma fístula, para que tivesses uma veia suficiente forte para aguentar 2 agulhas grandes em que por uma saí o sangue e outra entra.

Só que as fístulas tem um inconveniente, com o passar do tempo criam grandes aneurismas (“tipo batatas”) nas zonas que a pessoa é constantemente picada e deforma o braço. Além de não ser confortável, também não é estético!

Mas infelizmente não posso já dar muita importância à estética do meu braço! É o que é e pronto!

Mas as pessoas perante o desconhecido e má informação, conseguem ser umas “bestas”! Desde que o meu braço começou a desenvolver o que mais me irrita são os olhares e cochicho! Ou quando chegam ao ponto de um estranho chegar perto de mim e perguntar: – Coitada! Que lhe aconteceu ao braçinho? Partiu o braço?

Sério? Sério que parece um braço partido? Sério que ao menos disfarçava e não perguntava nada, porque até não conheço a senhora de lado nenhum!

Na praia então é horrível e não me sinto nada à vontade. Primeiro porque sempre tive muitos complexos, fosse porque fosse, então agora ainda pior.

Quando começa o calor é horrível, porque ando sempre até à última de manga comprida, até não aguentar mais. Mas depois com o habito vai passando e quando chego ao final a coisa já normalizou.

Mas ontem quando falava com uma colega de tratamento, percebi que estava a ser parva, porque outra pessoas passam pelo mesmo ou pior.

Ela sempre teve problemas de saúde e desde os 13 anos é insuficiente renal. Ela andou no secundário com estes problemas, andou na faculdade e todos nós sabemos como as crianças, os adolescentes e alguns jovens ainda podem ser muito mais cruéis.

Quando falávamos lembrava da minha adolescência, como por um lado foi bastante difícil, como tinha colegas bastantes cruéis e más, mesmo más! Aqui um aparte, as miúdas podem ser mesmo más! E não tinha nada fora do vulgar, nenhum problema de saúde. E ai olhei para ela e pensei: Para ti não deve ter sido mesmo nada fácil! E ainda eu me queixo!

Claro que tenho direito às minhas paranóias, aos meus complexos, mas a verdade é que se sairmos da nossa concha e olharmos para fora podemos ver que nós até fomos umas sortudas!

A minha colega de tratamento é uma pessoa muito divertida e simpática, que não deixa todos os seus problemas ditarem a sua vida. Como todos nós é humana, mas nunca deixou que a doença dominasse a sua vida. E eu penso como ela!

Isto para dizer que as pessoas são inconvenientes e muitas vez não tem tacto, é verdade! Mas muitas vezes fechamo-nos no nosso sofrimento, nos azares que nos aconteceram e não vemos que ao nosso lado pessoas passam por pior ou vivem pior e mostram sempre um sorriso à vida!

É verdade à 3 anos fiquei sem rins, passei por um choque, passei por coisas terríveis para mim. Fiquei sem o meu emprego e com a impossibilidade de voltar a ter filhos, quase morri num exame que fiz ao braço, pois fiz um edema gravíssimo nos pulmões, mas sobrevivi, já vivi algumas peripécias. Mas hoje vejo que sou uma sortuda e que muitas outras pessoas vivem coisas piores e estão satisfeitos com a vida.

Para que a vida nos corra bem, temos de sorrir-lhe, mesmo quando ela nos prega partidas! Pois já é tão difícil tudo o resto, não temos necessidade de tornar piores!

E vocês como encaram a vida?

Comentários

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1 comentário

  1. Deixa-me começar por reforçar a importância do que disseste logo no início do post – ouvir outras pessoas e perceber outros pontos de vista, antes de “descarregarmos” a nossa raiva em algo ou alguém. É mesmo muito bom teres feito isso! Quanto ao resto do post, tens toda a razão quando dizes que as pessoas conseguem ser muito cruéis e nem sempre têm tato (em especial as crianças, por não terem filtro); também eu já passei por algumas situações muito pouco agradáveis, mas a verdade é que, infelizmente, não há nada que possamos fazer para que elas não tenham esse tipo de comportamento e, portanto, é sorrir e acenar!

    Espero, contudo, que o número de pessoas sem tato com as quais te cruzas diminua e que consigas sempre encarar as coisas de forma positiva!

    Beijinhos e bons posts,
    Bia do Bookaholic.

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